A linha de investigação está estruturada em três áreas principais de investigação que integram a produção de trabalhos de natureza teórica e a produção artística.


1. Para além do Tempo e do Lugar. Arte e Religião num Contexto Global (AR)

Sob o estímulo fervoroso da inspiração religiosa, a criação artística tornou-se ao longo dos tempos na mais eloquente, poética e simbólica forma de expressão do pensamento humano. Quer seja através da representação rude das tradições, crenças e rituais espirituais das culturas primitivas, ou através da sofisticação estética e plástica das civilizações ao redor do Mediterrâneo, do Médio Oriente, da Ásia, das Américas ou da Oceânia, a arte constituiu em todos os tempos e lugares um veículo para a busca de Deus.

Ao longo do tempo, o diálogo intercultural decorrente da circulação de ideias, objetos e pessoas coloca em confronto as várias religiões, conduzindo ao reconhecimento das estruturas antropológicas do imaginário religioso e à instrumentalização da imagem como forma de transmissão do conhecimento religioso. Neste contexto é fundamental analisar as relações entre a arte e a religião a partir de uma perspectiva transversal e comparativa dos esquemas de representação e dos códigos simbólicos visuais do discurso religioso.

Recentemente, o individualismo pós-moderno levanta um novo paradigma sobre a relação entre a arte e a religião, considerando a rarefação do sentimento religioso nas sociedades contemporâneas. Contudo, ainda assim se verifica uma persistência da tradição apostada na em renovar os vocabulários artísticos na criação de arte religiosa.


2. Arte e Lusofonia (AL)

Desde o século XV que a diáspora Portuguesa em África, na Ásia e na América do Sul deu lugar à construção de identidades artísticas miscigenadas, reflexo de encontros entre culturas e da transmissão de conhecimentos. Neste âmbito, é pertinente estudar a produção artística afro-portuguesa e luso-brasileira, desde o século XVI, sobretudo caracterizada pela iconografia cristã, pela concepção de objetos de natureza africana a partir dos modelos portugueses, e também a produção artística no Brasil Colonial, especialmente a partir do século XVIII. Será ainda importante analisar o impacto na produção artística local das missões exploratórias que decorreram em África durante o século XIX e XX, demonstrando a relação da arte com a emergência da lusofonia.

Ao longo do século XX, especialmente durante o Estado Novo, o império colonial português tornou-se uma característica inequívoca da identidade nacional, assumindo a sua diversidade cultural nas Exposições Internacionais, contando com a ativa produção artística de Jorge Barradas, Keil do Amaral, Henrique Bettencourt e outros, incumbidos da representação internacional do mundo lusófono.

Finalmente, no contexto da arte contemporânea é urgente constituir um corpus dos artistas do Espaço Lusófono e um índex das obras remanescentes nas coleções públicas e privadas existentes em Portugal, resultando este trabalho de pesquisa num estudo de profundidade sobre as categorias identitárias da arte lusófona, acompanhadas por um catálogo desse inventário.


3. Arte e Trânsitos Culturais na Era da Globalização (AT)

Nas três últimas décadas assistimos a uma crescente visibilidade de artistas e obras que, ao configurar múltiplos trânsitos transnacionais (designadamente através de situações de diáspora, residências artísticas, exílio, entre outras) propõem um alargamento e complexificação dos modelos de recepção e análise da obra de arte, contribuindo para uma discussão mais alargada acerca das possibilidades e limites de um campo artístico globalizado.

Nestes processos incorrem transfigurações na dimensão conceptual das práticas artísticas, nos modelos discursivos que escoram a crítica de arte, nas práticas expositivas e curatoriais – designadamente a (re)fundação dos paradigmas teóricos que enquadram o desenvolvimento de uma rede global de sistemas de divulgação, reflexão e formação – as ligações residuais entre a tradição e a contemporaneidade sobrevindas na plasticidade da obra ou a construção permanente de identidades/subjetividades culturais que redimensionam o enfoque da criação, recepção e  estudo das práticas artísticas a partir destes novos paradigmas culturais.

Se, na era da globalização cultural, uma maior quantidade de pessoas se consideram "cidadãos do mundo", cruzando e absorvendo diferentes identidades culturais, outros vivem circunscritos a uma terra sem identidade. É o caso, por exemplo, dos campos de refugiados, cada vez em maior número e de longa duração, onde se nasce e se cresce sem pátria. Paradoxos e conflitos interculturais sobre os quais a visualidade se tem debruçado nos últimos anos e que importa problematizar.

áreas de investigação e produção artística

projetos

iniciativas no âmbito do desenvolvimento de investigação e criação contemporânea

áreas de investigação

o programa está organizado em sete áreas de investigação e três áreas para a criação artística

programa

arte numa perspetiva global é uma iniciativa do centro de investigação e estudos em belas-artes

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arte numa perspetiva global

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